Resposta rápida: O SIBO (sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado) volta em muitas pessoas depois de um antibiótico como a rifaximina. Num estudo, quase metade das pessoas que tinham melhorado teve uma recaída em nove meses. A razão costuma ser esta: o antibiótico baixa o número de bactérias, mas não muda o motivo pelo qual elas se acumularam, como um intestino delgado que se move devagar, pouca acidez no estômago, protetores gástricos de longa duração, cirurgias anteriores, aderências ou outras condições. Procurar e trabalhar estes fatores com o seu médico, apoiar as “ondas de limpeza” naturais do intestino entre refeições e reconstruir aos poucos pode reduzir a probabilidade de recaída. Também vale a pena confirmar se o SIBO era mesmo a explicação certa.
“Senti-me ótima com a rifaximina e, duas semanas depois, estava tudo igual.” É das histórias que mais ouço de quem tem SIBO, e pode ser muito desanimadora. Se o tema é novo para si, comece por SIBO: causas e sintomas e SIBO ou SII: quais são as diferenças. Aqui, o foco é perceber porque é que volta.
As recaídas de SIBO são frequentes?
Muito. Num estudo que acompanhou pessoas cujo teste respiratório tinha normalizado depois da rifaximina, as recaídas foram aumentando com o tempo e chegaram a cerca de 44% aos nove meses.1 A idade mais avançada, uma remoção do apêndice no passado e o uso prolongado de inibidores da bomba de protões (protetores gástricos como o omeprazol) estavam ligados a um risco maior.
A rifaximina normaliza o teste respiratório em cerca de sete em cada dez pessoas, segundo a análise conjunta de vários estudos,4 e numa comparação os antimicrobianos de plantas tiveram resultados semelhantes.5 Seja como for, reduzir o sobrecrescimento e mantê-lo afastado são duas tarefas diferentes.
Porque é que o SIBO volta depois da rifaximina?
Porque o SIBO costuma ser consequência de outra coisa. O intestino delgado mantém normalmente o número de bactérias baixo através de vários sistemas de proteção. Quando um ou mais falham, as bactérias podem voltar a acumular-se depois de qualquer antimicrobiano.2 Os fatores de fundo mais comuns são:
- Trânsito lento. Entre refeições, o intestino envia ondas de contração de limpeza, o chamado complexo motor migratório, que empurram bactérias e resíduos para a frente. Se estas ondas estão fracas, por exemplo depois de uma intoxicação alimentar, com a tiroide lenta, diabetes ou alguns medicamentos como os opioides, as bactérias ficam.
- Pouca acidez no estômago. O ácido funciona como primeira barreira. O uso prolongado de protetores gástricos está associado a um risco maior de SIBO.7
- Fatores estruturais. Cirurgias abdominais, aderências, divertículos no intestino delgado ou alterações da válvula entre o intestino delgado e o grosso podem facilitar a instalação das bactérias.
- Outras condições. Doença celíaca, doença inflamatória intestinal, pancreatite crónica e algumas doenças do tecido conjuntivo ou dos nervos estão associadas ao SIBO.
Quando falar primeiro com o seu médico
- Perda de peso sem explicação ou sinais de desnutrição
- Sangue nas fezes ou fezes negras
- Diarreia persistente, sobretudo durante a noite
- Anemia ou B12 baixa que volta sempre
- Dor abdominal forte ou a piorar, ou vómitos
- Uma alteração nova do trânsito depois dos 50 anos
Era mesmo SIBO?
Antes de planear mais uma ronda, vale a pena dar um passo atrás. Os testes respiratórios são úteis, mas imperfeitos, e a preparação, o tipo de teste e a forma de o interpretar influenciam o resultado.3 Sintomas persistentes podem ter outra explicação, ou mais do que uma: SII com sensibilidade intestino-cérebro, intolerâncias alimentares, problemas do pavimento pélvico, alterações dos ácidos biliares ou doença celíaca, entre outras. Se a obstipação tem um grande peso, podem estar envolvidos micróbios produtores de metano, o que muda a abordagem. O seu médico pode ajudar a decidir se faz sentido repetir o teste ou fazer outros exames.
Como posso evitar que o SIBO volte?
Não existe um protocolo único, e cada passo deve encaixar no seu historial. Na terapia nutricional, estas são as áreas para as quais costumo olhar com as pessoas que acompanho:
- Deixar intervalos entre refeições. As ondas de limpeza acontecem sobretudo com o intestino vazio. Três refeições com cerca de quatro horas entre elas, e uma pausa durante a noite, podem apoiá-las melhor do que petiscar ao longo do dia.
- Perguntar ao médico sobre apoio ao trânsito. Num estudo, um medicamento procinético em dose baixa, tomado à noite, atrasou o regresso dos sintomas depois de o SIBO ter sido abordado.6 Algumas pessoas usam opções naturais como o gengibre; a adequação é individual.
- Rever os protetores gástricos com o seu médico, quando for seguro.
- Trabalhar o gatilho. Se os sintomas começaram depois de uma infeção intestinal, de uma cirurgia ou de uma fase de stress, essa história orienta o plano (veja “nunca mais fiquei bem desde…”).
- Reconstruir aos poucos. Dietas restritivas durante muito tempo podem empobrecer o microbioma. Reduzir temporariamente os hidratos fermentáveis pode aliviar os sintomas, mas o objetivo é reintroduzir os alimentos de forma gradual (veja a dieta low FODMAP e as suas limitações).
- Apoiar o ritmo diário. O sono, o movimento depois das refeições e a gestão do stress influenciam o trânsito através da ligação intestino-cérebro.
Sente que está num ciclo de recaídas do SIBO?
Vamos olhar para o seu historial, os seus testes e o que pode estar a fazer o sobrecrescimento voltar, e planear os próximos passos em conjunto com o seu médico – uma chamada gratuita, sem compromisso.
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Essa decisão é do seu médico, com base nos sintomas, nos resultados dos testes e no seu historial. Algumas pessoas precisam de várias rondas, sobretudo quando o fator de fundo não pode ser totalmente alterado. O que costuma fazer mais diferença é juntar a qualquer nova ronda um plano para o que vem depois, em vez de repetir o mesmo ciclo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo depois da rifaximina pode o SIBO voltar?
Varia. Há quem note o regresso dos sintomas em semanas e quem só o note meses depois. Os estudos mostram que o risco aumenta de forma gradual ao longo do primeiro ano.
Só a alimentação chega para evitar recaídas?
A alimentação ajuda, mas raramente chega sozinha. O trânsito, a acidez do estômago, a medicação e os fatores estruturais costumam ter de ser considerados também.
Os probióticos ajudam a evitar recaídas do SIBO?
A evidência é mista. Algumas pessoas beneficiam e outras sentem-se pior, por isso a escolha da estirpe e o momento devem ser individualizados.
Devo repetir o teste depois do antibiótico?
Repetir o teste pode ser útil se os sintomas persistirem ou voltarem, mas o momento e o tipo de teste devem ser combinados com o seu médico.
É normal voltar a sentir-me pior depois de melhorar?
O regresso dos sintomas é frequente e não significa que falhou. É um sinal para olhar com mais atenção para os fatores de fundo.
Referências
- Lauritano EC, Gabrielli M, Scarpellini E, et al. Small intestinal bacterial overgrowth recurrence after antibiotic therapy. Am J Gastroenterol. 2008. PubMed: PMID 18802998
- Pimentel M, Saad RJ, Long MD, et al. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020. PubMed: PMID 32023228
- Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. Am J Gastroenterol. 2017. PubMed: PMID 28323273
- Gatta L, Scarpignato C. Systematic review with meta-analysis: rifaximin is effective and safe for the treatment of small intestine bacterial overgrowth. Aliment Pharmacol Ther. 2017. PubMed: PMID 28078798
- Chedid V, Dhalla S, Clarke JO, et al. Herbal therapy is equivalent to rifaximin for the treatment of small intestinal bacterial overgrowth. Glob Adv Health Med. 2014. PubMed: PMID 24891990
- Pimentel M, Morales W, Lezcano S, et al. Low-dose nocturnal tegaserod or erythromycin delays symptom recurrence after treatment of irritable bowel syndrome based on presumed bacterial overgrowth. Gastroenterol Hepatol (N Y). 2009. PubMed: PMID 20574504
- Lo WK, Chan WW. Proton pump inhibitor use and the risk of small intestinal bacterial overgrowth: a meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2013. PubMed: PMID 23270866
Este artigo tem fins educativos e não substitui o aconselhamento médico. A terapia nutricional não substitui o acompanhamento médico. Fale sempre com o seu médico perante sintomas novos ou persistentes e antes de alterar medicação ou suplementos.