Resposta rápida: O inchaço na perimenopausa é comum e real. À medida que o estrogénio e a progesterona oscilam e depois descem, podem mudar o movimento do intestino, a retenção de líquidos, a sensibilidade às sensações intestinais e a composição do microbioma. Muitas mulheres notam mais inchaço, obstipação ou menos tolerância a alimentos que antes comiam sem problemas. O ritmo das refeições, a variedade de fibra, a proteína, o sono, o stress e o movimento podem ajudar, e a ligação entre intestino e hormonas (o «estroboloma») é uma área de investigação em crescimento. Ainda assim, um inchaço novo ou persistente deve ser avaliado pelo médico, porque nem sempre é hormonal.
«Como da mesma forma de sempre, mas a minha barriga parece ter vontade própria.» Ouço isto muitas vezes de mulheres entre os 40 e os 50 e poucos anos. As alterações digestivas raramente são a primeira coisa que se associa à perimenopausa, mas são uma das razões mais frequentes pelas quais as mulheres nesta fase me pedem ajuda com o intestino. Se também se sente inchada apesar de comer bem, leia porque tenho a barriga inchada mesmo quando como de forma saudável.
A perimenopausa pode causar inchaço?
Sim, é algo frequentemente associado. Existem recetores de estrogénio e de progesterona ao longo de todo o tubo digestivo. Estas hormonas influenciam a velocidade a que os alimentos avançam no intestino, a quantidade de líquidos que o corpo retém e a sensibilidade do intestino à distensão e aos gases. A investigação em mulheres com SII mostra que os sintomas mudam muitas vezes com as variações hormonais ao longo do ciclo,4 e na perimenopausa essas variações tornam-se maiores e menos previsíveis. Um estudo de longa duração com mulheres na meia-idade mostrou também que a dor abdominal era comum durante a transição para a menopausa.5
Porque é que o inchaço na perimenopausa vai e vem?
No início da perimenopausa, as hormonas não descem simplesmente – oscilam. Alguns ciclos trazem mais estrogénio em relação à progesterona (muitas vezes com retenção de líquidos e mamas sensíveis); outros trazem quedas bruscas. A progesterona tende a abrandar o intestino, por isso a segunda metade do ciclo pode parecer mais lenta e com mais gases. Muitas mulheres notam que o inchaço segue estes padrões mais do que qualquer alimento.
O que é o estroboloma e porque é importante?
O estroboloma é o conjunto de bactérias intestinais capazes de processar o estrogénio. Algumas produzem uma enzima chamada beta-glucuronidase, que pode «reativar» o estrogénio no intestino, levando a que seja reabsorvido em vez de eliminado.1 A investigação sugere que o microbioma muda à volta da menopausa, ficando mais parecido com o dos homens, com possíveis ligações a alterações metabólicas.2 Uma revisão recente descreve como o estroboloma pode contribuir para sintomas da meia-idade e porque está a despertar interesse no acompanhamento da menopausa.3
É uma área ainda emergente. É uma razão para cuidar do microbioma, não para comprar um «suplemento para o estroboloma».
São as hormonas ou outra coisa?
Nem todos os sintomas novos aos 40 são hormonais. A perimenopausa pode sobrepor-se a outras alterações – da tiroide, falta de ferro, doença celíaca, problemas na vesícula, efeitos secundários de medicação – e o inchaço persistente em mulheres com mais de 50 anos deve ser avaliado pelo médico para excluir causas nos ovários e no intestino. Fale com o seu médico de família, sobretudo se o inchaço for novo e acontecer quase todos os dias.
Quando falar primeiro com o seu médico
- inchaço persistente, quase todos os dias, e novo – sobretudo depois dos 50
- ficar cheia muito depressa, dor pélvica ou abdominal, ou necessidade de urinar mais vezes
- perda de peso ou de apetite sem explicação
- sangue nas fezes, ou hemorragia depois da menopausa
- uma mudança no trânsito intestinal que dura mais de algumas semanas
- dificuldade em engolir ou vómitos persistentes
O que pode ajudar o inchaço na perimenopausa?
- Refeições regulares e sem pressa. Comer a horas irregulares ou a correr amplifica muito o inchaço.
- Variedade de fibra, não excesso de fibra. Muitos vegetais diferentes, legumes cozinhados, aveia, linhaça moída e leguminosas (conforme a tolerância) alimentam um microbioma diverso. Aumente devagar.
- Proteína em todas as refeições. Ajuda na saciedade, no equilíbrio do açúcar no sangue e na massa muscular enquanto as hormonas mudam.
- Água e movimento para um trânsito regular – a obstipação é uma causa escondida muito comum de inchaço (veja obstipação mesmo com uma alimentação saudável).
- Atenção ao álcool. Muitas mulheres notam que a tolerância muda nesta fase, com o álcool a agravar o inchaço, o refluxo e o sono.
- Sono e stress. Dormir mal e um sistema nervoso em alerta aumentam a sensibilidade do intestino. O artigo sobre a ligação intestino-cérebro explica porquê.
Se faz terapia hormonal, fale com o seu médico sobre as alterações intestinais. Os suplementos são opcionais e sempre individualizados.
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Quanto tempo dura o inchaço da perimenopausa?
Varia muito. Nalgumas mulheres oscila durante alguns anos e acalma depois da menopausa; noutras continua. Olhar para os hábitos à mesa, o trânsito, o sono e o stress costuma torná-lo mais fácil de gerir.
Porque é que de repente reajo a alimentos que antes tolerava?
As mudanças no movimento do intestino, na sensibilidade e no microbioma durante a perimenopausa podem baixar a tolerância a alguns alimentos, ao álcool e a refeições grandes. Um diário alimentar ajuda a ver padrões.
A terapia hormonal de substituição causa inchaço?
Algumas mulheres notam inchaço ao começar ou mudar a terapia hormonal, e outras notam melhorias. Fale sobre qualquer alteração com o médico que acompanha a sua terapia.
Os probióticos ajudam o inchaço da perimenopausa?
A evidência ainda está em desenvolvimento e a resposta é individual. Os probióticos são opcionais e podem servir a umas pessoas e não a outras.
O inchaço da perimenopausa é aumento de peso?
Não necessariamente. O inchaço é gás, líquidos e sensibilidade intestinal que muda ao longo do dia; o aumento de gordura na barriga é uma alteração diferente, que muitas vezes acontece ao mesmo tempo.
Referências
- Estrogen-gut microbiome axis: Physiological and clinical implications. PubMed: PMID 28778332
- Menopause Is Associated with an Altered Gut Microbiome and Estrobolome, with Implications for Adverse Cardiometabolic Risk in the Hispanic Community Health Study/Study of Latinos. PubMed: PMID 35675542
- Estradiol loss, the "estrobolome," and midlife symptoms: what the gut microbiome adds to menopause care. PubMed: PMID 42118552
- Sex hormones in the modulation of irritable bowel syndrome. PubMed: PMID 24627581
- Abdominal pain during the menopause transition and early postmenopause: observations from the Seattle Midlife Women's Health Study. PubMed: PMID 31388434
Este artigo tem fins educativos e não substitui o aconselhamento médico. A terapia nutricional não substitui o acompanhamento médico. Fale sempre com o seu médico perante sintomas novos ou persistentes e antes de alterar medicação ou suplementos.