Resposta rápida: A Helicobacter pylori é uma bactéria que vive na parede do estômago. Cerca de metade dos adultos no mundo tem esta bactéria e muitos não têm sintomas, mas está associada a gastrite, úlceras e a um risco maior de cancro do estômago a longo prazo. Por isso, as recomendações atuais dizem que quem tem um resultado positivo deve falar com o médico sobre a erradicação. Os testes respiratório e de fezes mostram infeção ativa; a análise de sangue pode continuar positiva depois de a bactéria desaparecer. A alimentação não substitui a erradicação, mas pode apoiar o estômago, a digestão e o microbioma antes, durante e depois.
“Helicobacter pylori positivo” é um dos resultados que mais chegam às minhas sessões com um misto de alívio e confusão: alívio por haver finalmente uma explicação para o ardor, as náuseas ou o enfartamento, e confusão sobre o passo seguinte. Se os seus sintomas estão sobretudo na parte de cima da barriga, vale a pena ler também sobre ficar cheio muito depressa e sobre refluxo e azia, porque muitas vezes se sobrepõem.
O que significa ter Helicobacter pylori positivo?
Significa que foi encontrada a bactéria Helicobacter pylori no estômago (ou, no caso da análise de sangue, que o seu sistema imunitário já esteve em contacto com ela). A H. pylori é muito comum – uma grande meta-análise estimou que cerca de 4,4 mil milhões de pessoas a tinham em 2015, com taxas mais altas no sul e no leste da Europa do que no norte.2
Costuma ser adquirida na infância e pode viver discretamente no estômago durante décadas. Em algumas pessoas provoca inflamação crónica da parede do estômago (gastrite), que pode levar a úlceras e, ao longo de muitos anos, é um fator de risco reconhecido para o cancro do estômago. É por isso que o consenso Maastricht VI/Florença recomenda que seja proposta a erradicação a quem tem a infeção, mesmo sem sintomas.1
Quais são os sintomas da Helicobacter pylori?
Muitas pessoas não têm nenhum. Quando surgem, costumam estar na parte de cima da barriga e estão frequentemente associados a:
- ardor ou desconforto na “boca do estômago”
- sensação de estar cheio ao fim de poucas garfadas, ou peso durante horas depois de comer
- náuseas, arrotos e inchaço na parte de cima da barriga
- menos apetite
- cansaço ligado a ferro ou vitamina B12 baixos
Nenhum destes sintomas é exclusivo da H. pylori – o mesmo quadro aparece na dispepsia funcional, no refluxo, em problemas da vesícula e como efeito de medicação. Por isso, fazer o teste certo vale mais do que adivinhar.
Qual é o teste mais fiável para a H. pylori?
Há três opções principais, e cada uma responde a uma pergunta ligeiramente diferente:
- Teste respiratório com ureia – mostra infeção ativa e é muito usado.
- Antigénio nas fezes – também mostra infeção ativa; é o que aparece muitas vezes nos painéis de fezes mais completos.
- Análise de sangue (anticorpos) – mostra contacto com a bactéria, não necessariamente infeção atual. Pode continuar positiva durante meses ou anos depois de a bactéria desaparecer.
Os medicamentos que reduzem a acidez (IBP, como o omeprazol), antibióticos recentes e o bismuto podem dar falsos negativos nos testes respiratório e de fezes, por isso recomenda-se um intervalo antes do teste – o seu médico ou farmacêutico indica-lhe quanto tempo.1 Se o único resultado positivo for uma análise de sangue, pergunte ao médico se é preciso um teste respiratório ou de fezes para confirmar a infeção ativa.
Quando falar primeiro com o seu médico
- Fezes negras e pegajosas ou vómitos com sangue (procure ajuda urgente)
- Perda de peso sem explicação, dificuldade em engolir ou vómitos persistentes
- Indigestão nova depois dos 55 anos, ou casos de cancro do estômago na família
- Anemia por falta de ferro sem causa evidente
- Dor forte ou a piorar na parte de cima da barriga
A H. pylori precisa sempre de ser erradicada?
A orientação europeia atual é que, confirmada a infeção ativa, deve ser proposta a erradicação.1 Faz-se com uma combinação de medicamentos escolhida pelo médico, normalmente durante 10 a 14 dias, seguida de um novo teste pelo menos quatro semanas depois, para confirmar que a bactéria desapareceu. A resistência aos antibióticos está a aumentar, por isso a combinação exata depende da resistência local e do seu historial.
Esta é claramente uma decisão médica. Os “protocolos naturais para a H. pylori” comprados online não são uma alternativa, e não recomendo adiar a erradicação para os experimentar.
A H. pylori pode causar inchaço, ferro baixo ou outros sintomas fora do estômago?
O inchaço na parte de cima da barriga, os arrotos e a saciedade precoce são frequentes. Fora do estômago, a H. pylori está consistentemente associada à falta de ferro: uma meta-análise encontrou uma taxa significativamente maior de anemia por falta de ferro nas pessoas infetadas.5 As razões prováveis incluem menos ácido no estômago (de que o ferro precisa para ser bem absorvido) e pequenas perdas de sangue lentas a partir de uma parede inflamada. A gastrite de longa data pode também reduzir a absorção de B12.
Se tem a ferritina baixa e ela volta sempre a descer apesar dos suplementos, faz sentido perguntar ao seu médico se a H. pylori (e a doença celíaca) já foram avaliadas.
Como pode a alimentação apoiar o intestino antes e depois da erradicação?
É aqui que a terapia nutricional pode ajudar, sempre em conjunto com o plano do seu médico – nunca em vez dele:
- Durante a erradicação: refeições mais pequenas e simples, legumes cozinhados e proteína suficiente costumam ser mais bem tolerados quando surgem náuseas ou sabor metálico.
- Probióticos (opcionais): uma meta-análise mostrou que juntar a levedura Saccharomyces boulardii à terapêutica habitual se associou a taxas de erradicação ligeiramente mais altas e a menos efeitos secundários, sobretudo diarreia.3 Se faz sentido para si depende do seu historial e da restante medicação, por isso deve ser individualizado e combinado com o médico.
- Rebentos de brócolos: um pequeno estudo em pessoas mostrou que rebentos de brócolos ricos em sulforafano reduziram marcadores da presença da H. pylori e da inflamação do estômago, sem a eliminar.4 São um alimento razoável para incluir, não uma alternativa à erradicação.
- Depois da erradicação: o microbioma precisa normalmente de tempo para estabilizar. Reintroduzir aos poucos uma variedade de alimentos vegetais, fibra e (se tolerar) fermentados apoia esse processo – veja como apoiar o intestino depois dos antibióticos.
- Nutrientes: combine com o seu médico repetir o ferro, a ferritina e a B12 se estavam baixos.
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Marque a sua chamada gratuita de 15 minutos →Porque é que algumas pessoas continuam com sintomas depois de eliminar a H. pylori?
Uma erradicação bem-sucedida nem sempre traz alívio imediato. A parede do estômago pode precisar de tempo para recuperar, e podem existir outros fatores desde o início – refluxo, dispepsia funcional, esvaziamento lento do estômago, pouca produção de enzimas digestivas, SIBO ou stress. Uma abordagem centrada na causa de fundo olha para toda a cadeia digestiva, e não só para uma bactéria.
Perguntas frequentes
A H. pylori é contagiosa?
Transmite-se sobretudo dentro da família, normalmente na infância, através da saliva e possivelmente de água ou alimentos contaminados. A transmissão entre adultos parece ser menos comum. Pergunte ao seu médico se faz sentido testar outras pessoas da casa.
Posso eliminar a H. pylori de forma natural?
Não há boa evidência de que a alimentação ou os suplementos, sozinhos, eliminem a H. pylori de forma fiável. Alguns alimentos e probióticos podem apoiar o estômago e reduzir efeitos secundários, mas a erradicação deve ser orientada pelo médico.
Devo tomar probióticos com os antibióticos para a H. pylori?
Alguns estudos sugerem que a Saccharomyces boulardii pode reduzir efeitos secundários como a diarreia e melhorar ligeiramente a taxa de erradicação. É opcional e deve ser individualizada e combinada com o seu médico.
A H. pylori pode voltar depois da erradicação?
A reinfeção em adultos é relativamente rara na Europa, mas a erradicação pode falhar, muitas vezes por resistência aos antibióticos. Por isso se recomenda um teste de confirmação pelo menos quatro semanas depois de terminar.
O que devo comer se tiver H. pylori?
Não existe uma dieta única para a H. pylori. Refeições simples e regulares, legumes cozinhados, proteína suficiente e menos álcool e tabaco costumam ajudar no conforto. Os rebentos de brócolos são um complemento razoável, não um substituto da erradicação.
Referências
- Malfertheiner P, et al. Management of Helicobacter pylori infection: the Maastricht VI/Florence consensus report. Gut. 2022. PubMed: PMID 35944925
- Hooi JKY, et al. Global prevalence of Helicobacter pylori infection: systematic review and meta-analysis. Gastroenterology. 2017. PubMed: PMID 28456631
- Szajewska H, et al. Systematic review with meta-analysis: Saccharomyces boulardii supplementation and eradication of Helicobacter pylori infection. Aliment Pharmacol Ther. 2015. PubMed: PMID 25898944
- Yanaka A, et al. Dietary sulforaphane-rich broccoli sprouts reduce colonization and attenuate gastritis in Helicobacter pylori-infected mice and humans. Cancer Prev Res. 2009. PubMed: PMID 19349290
- Hudak L, et al. An updated systematic review and meta-analysis on the association between Helicobacter pylori infection and iron deficiency anemia. Helicobacter. 2017. PubMed: PMID 27411077
Este artigo tem fins educativos e não substitui o aconselhamento médico. A terapia nutricional não substitui o acompanhamento médico. Fale sempre com o seu médico perante sintomas novos ou persistentes e antes de alterar medicação ou suplementos.